Módulos sociais de sobrevivência pela convivência

Tive a alegria de empreender um ciclo de conversas entre amigos. Sobre sustentabilidade, mas em primeira pessoa. Compartilho aqui um pouco da jornada.

Conversamos bastante. Umas cinco sessões e muitos de nós participaram. Nos propusemos a falar em primeira pessoa, os contextos situacionais de cada um, bem como seus desafios e aspirações foram trazidos à roda;

Muito das conversas oscilou entre dois pólos: as necessidades mais prementes de cada um x ideias ambiciosas à médio e longo prazo. Não nos dedicamos muito ao meio termo, ou seja, um espaço criativo de cenários de futuros possíveis, atingíveis e desejáveis, de acordo com o contexto e trajetória de cada um e de todos. Mas tocamos superficialmente em temas e nuances que ajudaram a delinear alguns princípios e características do que podem vir a ser módulos sociais de sobrevivência e convivência. Alguns desses princípios já estão no texto do grupo sobre o tema, mas não mexemos neles;

Ficou evidente o valor do patrimônio coletivo que reunimos a partir das nossas experiências pessoais. A partir dos relatos foi possível perceber que cada um já está bem "avançado" em determinados componentes, ao mesmo tempo que "defasado" em outros (relações de vizinhança, produção de alimentos e energia, conexões glocais, vivências de experiências coletivas passadas, conhecimentos de tecnologias e iniciativas relevantes ao tema, entre outras).

A problemática da "comunidade" foi discutida. Ficaram claras as limitações das comunidades "totalizantes", como muitas das "ecovilas" ou comunidades intencionais, que assumem um alto grau de homogeneidade entre os membros, alta densidade de interações e fronteiras e limites bem definidos com o meio externo e com quem é "de fora"; a visão alternativa que me vem à mente a é a de pertencermos concomitantemente à múltiplas comunidades, cada uma configurada à partir de determinados fluxos, materiais ou imateriais, todas elas abertas à heterogeneidade e ao fluxo de "entrantes" e "saintes", bem como ao seu começo e fim; a riqueza das multiplicidade viabiliza a sobrevivência e convivência;

Relacionado ao ponto anterior aconteceram algumas conversas sobre os tipos de capital social que concorrem para a viabilidade da sobrevivência e convivência ("Ponte x cola", ligações fortes e fracas, locais e glocais, familiares, comerciais);

Aconteceram, ou começaram a acontecer, algumas ações concretas de parcerias um a um, entre os participantes das conversas;

Pude começar a conhecer e "ser afet(u)ado" por pessoas admiráveis, ou seja, amizade mesmo, do jeito antigo.

Não avançamos mais. Os encontros

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